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Eu não sou uma mulher de sucesso

Esta foi a conclusão a que cheguei nos últimos meses da minha vida.

Eu não sou apenas uma mulher de sucesso.

Eu não sou apenas empresária.


Vivi a maior crise de identidade nestes últimos tempos por não saber bem quem era e o que queria para a minha vida.

Sentia-me frustrada e chateada porque não sabia por que raio estava a desperdiçar a vida que tantos queriam e que um dia eu suei para ter.


Mas deixa-me confessar-te que tudo começou em novembro, à mesa de um restaurante, com pessoas do meu círculo próximo.

Discutíamos como as marcas de luxo, os restaurantes caro, enfim o lifestyle é hoje um dos maiores gatilhos de conexão de comunidades.

E eu verbalizei isto "Para mim, poder ser mãe sem ter de decidir isso com base na minha conta bancária é sucesso. Nunca sonhei com malas de marca, restaurantes caros ou grandes carros."


A esta discussão seguiu-se outra.... O quanto é hoje mais importante parecer do que ser.


Estive chateada, incomodada e altamente resistente a isto durante este tempo todo.

Ponderei regressar à minha profissão.

Ponderei largar a infoprodução na totalidade.

Ponderei simplesmente deixar as redes sociais porque acho verdadeiramente podre a porcaria que tentam vender às pessoas todos os dias.


Do ponto máximo da minha sinceridade recebi o maior abre olhos, vindo da pessoa mais improvável: o meu marido.

Ele perguntou-me se poderia usar unhas compridas vermelhas quando era enfermeira na urgência.

Perguntou-me se poderia simplesmente não me fardar para começar um turno.

Perguntou-me se poderia começar o meu turno de outra forma, que não com o calçado apropriado.


Ele tem razão.

Existiam regras claras na minha profissão.

E existe um jogo claro neste meu novo dia-a-dia.


A verdade é que neste jogo eu faço as regras.

Porque se fosse para que cumprir ordens eu seria enfermeira.


Deixa-me dizer-te que a minha crise não terminou nesse dia.

Continuou.

Mas eu tinha um único problema que precisava de resolver.... como voltar a entrar em jogo?


E houve um dia que eu olhei ao meu redor e lembrei-me que tenho uma vida 10x melhor do que algum dia a Inês de há 10 anos atrás poderia imaginar.

Nunca me achei merecedora de muito, mas sempre soube que nasci para estar rodeada de filhos e ao, mesmo tempo, ser muito boa no que fazia.

Eu queria ter 5 filhos.

E eu queria ser uma mulher de sucesso.


Foi quando me obriguei a parar de inventar desculpas.

De contar histórias a mim própria.

E de me mostrar mil razões pelas quais eu já não queria mais estar aqui.

E, nesse dia, eu voltei ao início.


E houve uma razão clara para todo o sucesso que eu tive nos negócios que construí.

Eu fazia o que fazia, sem olhar para o lado, porque eu não queria que as minhas filhas um dia tivessem uma vida incrível mas que lhes custou a minha ausência, em toda a vida delas.

Eu sempre soube que nunca viveria conformada com 1000€ por mês.

E isso implicaria uma vida com vários trabalhos.

Elas foram o motivo pelo qual comecei.

Porque eu queria ganhar muito dinheiro mas ser dona do meu tempo para poder acompanhá-las de perto.


Mas, mais do que me fez começar, houve uma razão clara para ter conectado tanta gente tão rápido:

  • porque sei que luxo na vida de uma mãe é, muitas vezes, ter 5 minutos para cuidar de si

  • porque eu sei comunicar com mulheres que querem ser boas mães mas que não tencionam desistir de uma carreira.

  • porque eu sei a dor de ter de fazer as 24h virarem 72h.

  • porque eu sei mais que ninguém o que é querer trabalhar e ter birras como som de fundo.

  • e também sei como é ter uma agenda que cai simplesmente porque do nada alguma acordou com febre.


Eu não sou a mulher que sonhou com malas caras.

Eu sonhei com uma carreira de sucesso e uma casa cheia de amor.

E eu concretizei este sonho.


O meu diferencial é a estratégia.

O meu ponto forte é o equilíbrio entre "ser mãe" e "ser empresária".


Sou apaixonada pela vida que construí ao ponto de, no dia em que me perdi, ter escolhido voltar a lembrar-me do porquê de ter começado.

E isso chega para saber que continuo no caminho que, para mim, é certo.


P.s. Talvez não te identifiques que podemos ser mães e bem sucedidas na mesma vida, e este texto é um convite claro para que me deixes de seguir.


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